quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Longe de ser

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Não é amor quando você tem planos perfeitos para a pessoa e os coloca como prioridade, desprezando o que ela deseja pra si mesma: é egoísmo e falta de humildade.
Não é amor aquela insegurança, o medo que o outro se vá, troque de amor, minta pra você, decida fazer outra coisa da vida que não satisfazê-lo: é imaturidade. Não existem certezas na vida e a única segurança que se pode ter é em si mesmo e em Deus (para quem tem a sorte de acreditar nEle).
Não é amor quando o outro tem que lhe dizer a toda hora onde está, com quem, por que, quando volta. Não chega nem a ser preocupação ou cuidado: é controle, é a inútil tentativa de evitar aquilo que, se tiver que acontecer, acontecerá.
Não é amor esperar ou cobrar atenção desmedida: é falta de si mesmo, de cuidar de si, de se amar. Quando a gente não se garante, precisa que o outro a todo tempo nos comprove que somos legais, amados, respeitados, que fazemos falta.
Não é amor dizer que ama toda hora: pode ser a tentativa de se convencer disso, ou de responsabilizar o outro, como se dissesse: "não esquece disso, cuide bem do sentimento que lhe devoto".
Não é amor criticar a toda hora coisas que lhe incomodam no outro, tentando transformá-lo num ser humano mais adequado pra você: é falta de respeito. As pessoas não mudam muito ao longo da vida, a não ser por si mesmas, jamais por alguém. Elas estão buscando satisfação na vida tanto quanto você. Ou você ama com tudo que ela é, ou não ama e pára de perturbar a vida dos outros com isso.
Não é amor ocupar todos os espaços da vida da pessoa, querer ir a todos os lugares que o outro frequenta, trabalho, igreja, academia, faculdade e até no banheiro: é controle, é brincar de Big Brother, é querer fiscalizar a vida alheia para seu próprio doentio benefício.
Não é amor quando a pessoa decide sair da sua vida e você implora, tenta convencer, relembra todos os momentos, questiona todas as promessas. Não é amor nem mesmo o que se sofre no fim: dói a decepção, a frustração, dói o apego a idéia de amor, aos planos juntos que foram por água abaixo, dói a mudança de hábito. Tudo isso mata a gente. Mas amor mesmo, não dói. A gente sofre por essas coisas, mas por amor, não. Quem ama, respeita a decisão do outro e segue.
Não é amor querer exclusividade nos interesses do outro: é ilusão, expectativa irrealizável. Amor faz desejar a felicidade do outro e é realista no sentido de reconhecer que somos imperfeitos e jamais seremos tudo que satisfaz a quem amamos. Somos parte, mas nunca tudo. O tudo do outro são seus sonhos, suas vontades, seus amigos, sua família, seus outros afetos, além de nós.

É preciso maturidade pra amar com qualidade. Não se queima etapas na vida.
Só depois de errar, permitir que os outros errem com a gente e decidir pela mudança, é possível aceitar a vida como ela é, os outros como são, e principalmente a si mesmo.


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2 comentários:

Juntinho&Misturado disse...

Pqp!! Filosoufou amiga!!

Raquel disse...

hahahahah

dei pra isso agora ... rsrs