terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sweet Home

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Não era exatamente uma casa. Era um arremedo de casa, tipo de abrigo, feito com quinquilharias que juntou daqui e dali, pegando de quem lhe pudesse doar, seja lá o que fosse.

Casa, casa mesmo, casa sua, não tinha. Quando ventava forte, corria de lá. Se não conseguia, por ali ficava esperando a tormenta passar, tomando vento e chuva. No mais das vezes, ela acabava encontrando segurança em outra casa: do pai, da mãe, de um amor, de um amigo e permanecia às custas da generosidade alheia o quanto pudesse, a comer, beber e dormir até que o Sol saísse.

Daí que há algum tempo disseram-lhe que precisava de uma casa, assim só sua, pra onde ela sempre quisesse voltar. Não lhe pareceu boa idéia, a princípio: demandaria muito tempo e trabalho. Mas por fim decidiu-se. Desfez-se de tudo que tinha, comprou material, respirou fundo e pôs mãos à obra. Vez ou outra, alguém querido uniu-se à empreita: deu dicas, cavou para uma fundação, assentou uma fileira de tijolos. E ela tem um pintor que é um primor. Graças a ele, a casa ficou cheia de cores, suaves aqui, quentes ali. E no fim das contas, tudo por que passou para erguê-la foi esquecido no primeiro dia de sono em sua nova morada.

Guardou ali grandes tesouros, sem aquele antigo medo de ser roubada. Agora tinha casa segura. Com chave, cadeado, janelas e portas que se abrem somente quando ela quer, para quem quer. Para estes há sempre bolo, café passado na hora e aconchego. E como era bom retribuir o acolhimento que ela apenas recebia!

Da sua casa não precisa mais sair em tempo ruim. Não chove dentro, nem venta forte. No máximo a gente ouve os barulhos lá fora. Dá pra deitar e ler, ouvir música, dormir, tomar uma sopa bem quente.

Lá reservou lugar para entulhar as coisas que não consegue resolver. Não ficam mais expostas na sala, virando assunto pras visitas. Joga tudo no quarto da bagunça e tranca bem. Não incomodam e ficam por ali até que ela consiga, queira ou tome coragem para resolver.

Dentro de casa já tem encontrado quase tudo que precisa, sem dar trabalho a ninguém. Faz sua comida, faz seus planos, suas bagunças, faz sua arte, dá-se os parabéns. Trata dos seus machucados: tem remédio, tem pomada e água boricada. Tem pra si e tem pra quem chegar.

Sempre traz de suas andanças algo que possa tornar mais bonito o lar. A última novidade foram as jardineiras que instalou nas janelas. Já estão floridas e enchem seu coração de orgulho!

De fora vê-se as paredes brancas, as portas e janelas azuis. Ouve-se também uma música boa e inédita, que vem de dentro. É que lá no quarto tem um violão, que o seu amor está tocando e não pára jamais.

É só fechar os olhos e eu estou em casa.


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Um comentário:

Anônimo disse...

MARAVILHOSOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!! AMEI AMIGAAA!

JANA FOX